Publicado por: marcelopitel em: Agosto 3, 2009

Ilustração sobre o filme Samurai Jack de Willmangraf (Wiliam Trindade Jesus Bastos)
Publicado por: marcelopitel em: Julho 26, 2009
Publicado por: marcelopitel em: Julho 14, 2009
O projeto Perifanima, patrocinado pelo Programa VAI da Secretaria de Cultura da Cidade de São Paulo, agora já tem um blog. No blog além de dicas sobre desenho animado, e os processos de animação, você poderá acompanhar a transformação do conto o barco viking em uma animação… vendo passo a passo.
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Publicado por: marcelopitel em: Abril 4, 2009
O projeto de animação Perifanima feito por mim Marcelo Pitel pelos ex-alunos do curso de ilustração 2008 da Carmim (Alfredo Henrique dos Santos, William Trindade, Tiago Morais, Beto Uchoa, Ana Cristina Santos Torres) foi aprovado pelo programa VAI da Prefeitura da Cidade de São Paulo.
O projeto é um desenho animado feito a partir de um conto do autor Ferréz e conta com uma parceria com a OSC Carmim e também com CEDECA interlagos.
Em breve um blog de making off da animação estará no ar.
Publicado por: marcelopitel em: Dezembro 8, 2008

exercício de figura fundo

cartaz feito a partir do filme Samurai Jack
Publicado por: marcelopitel em: Dezembro 8, 2008

Aquarela pintada por Tiago Morais Silva como estudo de cenário para animação
Publicado por: marcelopitel em: Dezembro 8, 2008

Colorização: Marcelo Pitel
Personagem: William Trindade Desenho: Beto Uchôa Arte Fiinal: Henrique dos Santos

Colorização: Marcelo Pitel
Personagem: Ana Cristina Torres Desenho: William Trindade Arte Final: Henrique dos Santos



Personagem: Beto Uchôa Desenho: William Trindade Arte Final: Henrique dos Santos


Personagem: Beto Uchôa Desenho: William Trindade Arte Final: Henrique dos Santos

Personagem: Beto Uchôa Desenho: William Trindade Arte Final: Henrique dos Santos


Personagem: Marcelo Pitel Desenho: William Trindade Arte Final: Henrique dos Santos



Personagem: Henrique dos Santos Desenho: William Trindade Arte Final: Henrique dos Santos

Personagem: Tiago Morais Silva Desenho: William Trindade Arte Final: Henrique dos Santos
Publicado por: marcelopitel em: Dezembro 3, 2008
O conto de Clarice Lispector foi usado aqui como o primeiro exercício de ilustração a partir de um conto. Neste caso queriamos explorar figuras de linguagem visualmente as duas figuras escolhidas foram “humanização e Animalização”. Os alunos produziram as ilustrações sem saber das figuras de linguagem, pois o intuito era que o conto os levassem a explorar esse tipo de metafora.
Uma Galinha
Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã.
Parecia calma. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Não olhava para ninguém, ninguém olhava para ela. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio.
Foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto vôo, inchar o peito e, em dois ou três lances, alcançar a murada do terraço. Um instante ainda vacilou — o tempo da cozinheira dar um grito — e em breve estava no terraço do vizinho, de onde, em outro vôo desajeitado, alcançou um telhado. Lá ficou em adorno deslocado, hesitando ora num, ora noutro pé. A família foi chamada com urgência e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O dono da casa, lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar, vestiu radiante um calção de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta, hesitante e trêmula, escolhia com urgência outro rumo. A perseguição tornou-se mais intensa. De telhado a telhado foi percorrido mais de um quarteirão da rua. Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida, a galinha tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar, sem nenhum auxílio de sua raça. O rapaz, porém, era um caçador adormecido. E por mais ínfima que fosse a presa o grito de conquista havia soado.
Sozinha no mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada. Às vezes, na fuga, pairava ofegante num beiral de telhado e enquanto o rapaz galgava outros com dificuldade tinha tempo de se refazer por um momento. E então parecia tão livre.
Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se poderia contar com ela para nada. Nem ela própria contava consigo, como o galo crê na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que morrendo uma surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma.
Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência. Ainda tonta, sacudiu-se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos. Foi então que aconteceu. De pura afobação a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta. Talvez fosse prematuro. Mas logo depois, nascida que fora para a maternidade, parecia uma velha mãe habituada. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou, respirando, abotoando e desabotoando os olhos. Seu coração, tão pequeno num prato, solevava e abaixava as penas, enchendo de tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só a menina estava perto e assistiu a tudo estarrecida. Mal porém conseguiu desvencilhar-se do acontecimento, despregou-se do chão e saiu aos gritos:
— Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! ela quer o nosso bem!
Todos correram de novo à cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente. Esquentando seu filho, esta não era nem suave nem arisca, nem alegre, nem triste, não era nada, era uma galinha. O que não sugeria nenhum sentimento especial. O pai, a mãe e a filha olhavam já há algum tempo, sem propriamente um pensamento qualquer. Nunca ninguém acariciou uma cabeça de galinha. O pai afinal decidiu-se com certa brusquidão:
— Se você mandar matar esta galinha nunca mais comerei galinha na minha vida!
— Eu também! jurou a menina com ardor. A mãe, cansada, deu de ombros.
Inconsciente da vida que lhe fora entregue, a galinha passou a morar com a família. A menina, de volta do colégio, jogava a pasta longe sem interromper a corrida para a cozinha. O pai de vez em quando ainda se lembrava: “E dizer que a obriguei a correr naquele estado!” A galinha tornara-se a rainha da casa. Todos, menos ela, o sabiam. Continuou entre a cozinha e o terraço dos fundos, usando suas duas capacidades: a de apatia e a do sobressalto.
Mas quando todos estavam quietos na casa e pareciam tê-la esquecido, enchia-se de uma pequena coragem, resquícios da grande fuga — e circulava pelo ladrilho, o corpo avançando atrás da cabeça, pausado como num campo, embora a pequena cabeça a traísse: mexendo-se rápida e vibrátil, com o velho susto de sua espécie já mecanizado.
Uma vez ou outra, sempre mais raramente, lembrava de novo a galinha que se recortara contra o ar à beira do telhado, prestes a anunciar. Nesses momentos enchia os pulmões com o ar impuro da cozinha e, se fosse dado às fêmeas cantar, ela não cantaria mas ficaria muito mais contente. Embora nem nesses instantes a expressão de sua vazia cabeça se alterasse. Na fuga, no descanso, quando deu à luz ou bicando milho — era uma cabeça de galinha, a mesma que fora desenhada no começo dos séculos.
Até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos.
Texto extraído do livro “Laços de Família”, Editora Rocco — Rio de Janeiro, 1998, pág. 30. Selecionado por Ítalo Moriconi, figura na publicação “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”.
Publicado por: marcelopitel em: Dezembro 3, 2008
Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas,
ela era ruiva.
Na rua vazia as pedras vibravam de calor – a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava.
Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos.
Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo.
Lá vinha ele trotando, à frente da sua dona, arrastando o seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.
A menina abriu os olhos pasmados. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.
Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.
Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.
Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se, com urgência, com encabulamento, surpreendidos.
No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos – lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes do Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.
Mas ambos eram comprometidos.
Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.
A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-lo dobrar a outra esquina.
Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.
Publicado por: marcelopitel em: Dezembro 3, 2008
Cada aluno no curso de ilustração da Carmim escolhe seu próprio caminho, no que quis respeito ao material que vai usar e principalmente como a partir dessa escolha ele, o aluno, vai desenvolver sua linguagem de ilustração. Vale ressaltar que o objetivo do curso é fazer com que o aluno tenha consciência da estruturação dessa linguagem e que consiga direcionar o seu trabalho para aonde ele deseja.
Abaixo podemos ver alguns exercícios feitos pelo Tiago Morais que desde o principio do curso teve um grande interesse pela técnica de Xilogravura e sua estética. Esses exercícios partem do principio de se desenhar com o branco em cima de um papel preto ou muito escuro. Desenhar pensando no negativo é a forma como os gravadores imprimem seus desenhos em suas matrizes, esse exercício tinha como principal objetivo trazer o aluno para a lógica do processo da xilo.
Logo após o interesse pelo Xilo a aluno também teve grande interesse pela pintura em aquarela